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Adriana Janaína Poeta

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June 03

Algodão doce

Adriana  Janaína  Poeta
 
Ando sentindo  o  cheiro  da  chuva
e  o  aroma  das   madressilvas
maceradas   pelo  tempo,
açoitadas  pelo  vento,
mesmo  durante   o dia.
Quanto  mais  quente,
quanto   mais   intensos  são  os  raios  de   sol,
maior  o  perfume  das  madressilvas  úmidas.
Ouvi   ainda  há   pouco  as  vozes
ecoando  alegres  e  repletas  de   esperança
da   minha   infância.
Como  tinham  esperanças!
Como  idealizavam  o  futuro,
colorindo   tudo  com  as  cores  mais  felizes!
Minha  nona, cercando  a  todos   de  cuidados,
minha  mãe, com  sonhos, lutas e  ideais,
minha  madrinha, buscando  conhecimento 
através  da  espiritualidade,
minha   tia, com  sua  alegria  inabalável...
Então, sinto  e  percebo
que  são  suas as vozes  que  ainda  ouço,
ecoando  no  tempo,
viajando  através  da  memória,
persistindo  na  eternidade
como  uma  lembrança  viva,
uma  carta  aberta  e  perene  no  mundo.
Quanto  sonharam  para  mim,
quantas  esperanças  e  bençãos?...
Sinto  os  seus  olhares  e  afagos,
as  mãos  que  me  erguem
e   os  olhares  que  guardam
e  incentivam.
É  na  lembrança  delas  que  renovo  forças,
nos  seus  sorrisos  eu  vejo  o  sol
mesmo  quando   surge  a  noite.
No  silêncio  e  na  solidão,
são  suas  as  preces  e  rizos,
as  estrelas   que  brilham  no  céu  sem  nuvens,
a  vida  que  insiste  em  atravessar
a  escuridão,
a  espera   que   mergulha  na  certeza,
o  dia  que  dissipa  a  noite,
uma  força  que  anuncia  algo  melhor.
Então, minha  poesia  de  céu  azul
e  chuva  que  cai,
é  como  a  melodia  das vozes  queridas
que  de  tanto  amor  me  cercaram,
tanta  alegria  e  esperança
me  envolveram,
mimos  e  certezas,
elogios  e  agrados.
Perfumada  com  tamanho   amor
encontro  o  mundo,
todos  os  dias,
e  quando  a  dor  e  a  saudade  vem,
sei  que  não  perduram,
logo  vão  embora.
                       
May 14

Eterno encontro*

Adriana  Janaína  Poeta
 
Para  o  meu  único  e  eterno  amor: Marcelo  Bernardo
 
Te  sonhei encontro,
manhã de  sol  sem  nuvens,
azul intenso
de  sorriso  eterno.
Te esperava  realeza,
estrela de  brilho  raro,
alma  de  pureza  argentina,
bravura  e  coração
sem  mancha.
Te  adivinhei  ainda  menina,
ouvi  teus  passos,
desejei  teus  abraços
e  todos  os  teus  olhares...
E te  encontrei  no crepúsculo,
a  sombra  dançante
de  um  dia  claro.
Te  amei  como  antes
e  chorei  feito nuvem,
meus  pés tão cansados,
meu  coração  tão  retalhado!
Meu  amor  persiste
feito  estrela  que  se  recusa a  morrer
e  se  lança  no  espaço  ainda  azul
embora  rubra  e derradeira.
Apesar  da  noite,
te  cuidei  como  a  um  menino,
te  amei  como  irmã
e  te  desejei feito flor
que  desabrocha.
Ainda  tendo  a  alma  em  dores,
converti  em  céu
a  íngrime paisagem.
Minhas mãos  ainda  buscam  as tuas,
meu  corpo frio
ama  o  calor do  teu.
Te desejava  sonho
e minha  alma  menina
talvez  recuse
o  que  é  real,
ainda  anseia  pelo  rosa
na  aurora,
divaga  mirando  estrelas,
busca  no  azul  do  céu
o que  não  existe.
Te  esperava  amor,
sonho e  encantamento,
mar  e  céu  azul.
April 05

Maresia*

 
Adriana  Janaína  Poeta
 
O  mar  leva  segredos,
arrasta  em  suas  ondas
imagens  condensadas  em  sonhos,
gotas  que  se  espalham  no  oceano,
mensagens  e  sentimentos  perdidos...
O  mar  é  o  tecido
maleável  e  fluido
do  tempo,
o  espelho  da  imensidão
que  cotemplamos
nas  suas  águas  salgadas,
manto  e  abrigo,
alimento  e  útero,
paisagem  calma,
mesmo  na  tempestade.
O  mar  é  tela  em  movimento,
perfume  que  descarrega  a  alma
de  dores  e  receios,
leito  de  esquecimento,
azul  que  lava 
e  verde  que  renova.
O  mar  é  enredo
que  surrurra  em  ondas
e  sorri  em  vagas,
mão  que  estendida
consola.
O  mar  é  colo,
alento, descanso...
É  o  alfa   que  abriga
no  ventre  o  ômega
de  tudo  o  que  vive
e  repete  o  homem,
esse  ser  contraditório,
esse  abismo  que  alcança  o  céu,
essa  alma  que  procura 
o  inexplicável,
essa  vida  que  ama
e  persiste,
essa  eternidade  que  finda
e  se  propaga.
March 25

Semente e fruto

março 22, 2009 - domingo

Adriana Janaína Poeta

Semente e fruto

Dizem que poesia
não deve ser datada,
precisa ser como nuvem,
perene e derramada
na superfície lisa
que ondula,
serpenteante feito vento.
Poesia é rio,
água que esparge,
luz que irradia, música suave,
vida que sopra,
verbo encantado,
estrofe amada.
Poesia é mar
quando encontra espelho,
germina no outro,
se desdobra multiplicando
um sentimento tão solitário.
É a estrela que brilha
em cada margem,
refletida no céu de azul sereno,
lá onde as nuvens
não podem ocultá-las,
então o divino
se revela em arte,
como semente, fruto e flor.
Apenas assim podemos acreditar
no encontro,
podemos crer no amor,
já que as estrelas e sementes
misturadas,
são capazes de ir além
no chamado distante
que o céu propaga
feito grito e canto.
8:31
March 22

O anjo e a fera*

Adriana  Janaína  Poeta
 
Para  o  meu  amor  verdadeiro:
 
Uma  parte  de  ti  é  anjo,
voa  além  das  nuvens  brancas,
alcança  o  céu,
segue  a  trilha  das  estrelas,
acompanha  o  vento
na  sua  trajetória  errante.
Esta  parte  estelar
brilha  acima  das  ondas,
perfuma  o  infinito,
revela  o  sonho
e  encanta  o  luar.
Esta  margem  azul
que  incendeia  astro
e  viaja  além  do  universo  visível,
mora  em  ti
feito  chama
que  se  propaga  e  contagia,
inspira  o  amor,
atrai  olhares,
se  perpetua  no  tempo,
desdobra  a  unidade,
multiplica  sementes
e  germina  em  flor.
Outra  parte  de  ti  é  fera,
usa  asas  imensas
para  colorir  o  azul
de  púrpura,
agita  águas  tranquilas,
persegue  sombras
e  ataca  o  crepúsculo.
Esta  parte  que  é  púrpura
uiva  para  a  lua,
ama  a  noite, caminha  descalço,
segue  apenas  os  instintos
e  ri  para  os  astros.
É  errante  e  fugáz,
viajante  e  impulsivo,
inconstante  e  terrestre,
parte  dor,
parte  sonho,
um  delírio  que  ruge.
É  uma  onda  gigante,
cinzas  que  se  agitam
ao  vento.
Este  anjo  de  dupla  margem,
um  ser  que  oscila  entre  extremos,
comove  o  dia
e  encanta  a  noite,
se  revela  no  teu  olhar  de  menino,
derrama  amor  através 
do  seu  coração  generoso,
traduz  todo  o  ímpeto
de  um  guerreiro.
Então, o  espelho  que  reflete
o  azul  do  céu
é  o  mar  que  mira  o  anjo  e  a  fera,
que  se  rende  ao  amor
após  longa  espera.
 
March 04

Hora azul*

Adriana  Janaína
 
Para  Marcelo  Bernardo
 
Voa  nas  asas  do  tempo
encontros  dispersos
na  paisagem  nua.
Grandes  cumes,
elevadas  planícies,
carregam  no  seu   dorso
olhares  perdidos
na  teia  dos  séculos,
intrincado  enredo.Os  que  amam,
os  que  buscam,
aqueles  que  aguardam  consolo.
Os  que  procuram  com  o  olhar,
os  que  caminham  atentos...
Um  dia,
ao  dobrar  uma  esquina,
no  clique  mágico,
perfeita  trajetória,
os  anjos  conduzem  os  passos,
aqueles   que  realizam   sonhos,
os  mesmos  que  indicam  os  caminhos.
Então, o  sol  brilha
como  ouro  em  ondas  de  felicidade.
Nas  asas  de  um  anjo,
seu  olhar  encontrará
o  que  busca
e  espera  há  tanto  tempo,
o  que  parecia  perdido  e  distante.
Entre  o  dia  e  a  noite,
na  hora  mágica,
no  azul  do  céu
derramado  no  horizonte,
o  amor  não  será  mais  um  sonho.
February 13

A rocha*

Adriana   Janaína
 
Dura  é  a  tarefa  da  rocha,
ser  sempre  só
mesmo  quando  sopra  o  vento,
sentir-se  sempre  estranha
na  paisagem,
ter  que  ser sempre  firme
mesmo  quando  chega  a  tempestade.
Longa  e  cansativa 
é  a  tarefa  da  rocha,
viver com  a  imagem
de  dureza  e  força,
ainda  que  na  alma
haja  frio  e  solidão,
porque  ser rocha
é   ser apoio,
ser  a  âncora  no  deserto
ou  a  escada  na  montanha,
o  assento  na  praia,
as  mãos  firmes   da  natureza
que  repousam  na  terra.
Ser  rocha  é  sentir  frio,
é  angústia  e  espera,
ser   a  cinza  que  o  vento  espalha,
o  cristal  que  o  tempo  forja
como  um  metal  diferente
e  triste.
Ser  rocha  é  carregar
na  alma  e  na  pedra
todo  o  peso  do  tempo. 
January 13

Distante*

Adriana  Janaína

 

vento  descreve  sua  trajetória

errante,

carregando  folhas,

poeira,

grãos  minúsculos,

fragmentos  de  árvores

e  pedras,

como  se  escrevesse  no  ar

na  sua  passagem  inconstante

a  história  do  homem,

esta  vida  que  passa  por  nós

enquanto  passamos  por  ela,

como  fagulhas  que  o  vento  leva

para  algum  lugar  ignorado.

O  vento  passa  simplesmente,

não  tem  hora  para  voltar,

não  finca  raízes,

segue  simplesmente,

brisa  suave,

vento  agitado,

serpente  veloz....

Na  curva  derrapa,

escorregando  entre  as  árvores,

esquinas, construções,

sem  pesar  e  ponderar

sobre  o  infinito.

É  leve, forte, ligeiro,

eterno, criança, guerreiro,

poeta  no  silêncio,

músico  nas  tempestades,

presente, ausente, distante,

apenas  o  vento.

Grande  no  ar  que  movimenta,

na  energia  invisível

que  se  mostra  no  tempo,

aquele  que  ordenada

e  misteriosamente

desordena,

aquele  que  agita  as  águas

e  comove  os  montes,

dobra  as  árvores,

assanha  os  campos.

Elemento  que  carrega  na  velocidade

a  suavidade  penetrante.

 

January 06

Humanas certezas*

Adriana  Janaína 

 

A  certeza  do  amor  permeia

nossa  humana  busca  por  ideais,

nossa  eterna  inocência  que  grita

exigindo  afeto,

uma  resposta  para  a  busca  empreendida

desde  tempos  imemoriais.

O  que  somos  transcende

a  aparência, o  que  é  visível.

Somos  uma  mistura  de  emoções  e  pensamentos

que  ocultam  a  verdadeira  essência

do  que  eterno  em  nós  existe.

Então, no  laço  do   tempo,

verdadeira  armadilha,

encantado  estado,

somos  arremetidos  pelas  idades

como  uma  esfera  de  experiências   

e  expectativas.

O  desejo  de  amor  incendeia

nossa  existência,

como  o  esboço  de  algo  maior,

experimentado  em  algum  lugar,

aguardado  e   reverenciado.

Ansiamos  por  este  sol

que  brilha  através  de  nós,

Além  de  toda  aparência  e  lembrança.

Nossas  humanas  certezas

são  os  véus  que  ocultam

as  divinas  verdades

que  existem  e  resistem  ao  tempo.

Nossos  passos  ecoam   na  eternidade,

como  um  rio  de  experiências

fluindo  na  direção  do  infinito.

  

December 31

Íris*

Adriana  Janaína
 
Trago  na  minha  boca  ainda
o  gosto  da  infância,
o  cheiro  de  sol
e  flor  na  primavera,
a  sensação  da  liberdade
ao  correr  pela  rua  molhada
sentindo  a  chuva
abraçar  meu  corpo...
A  alegria  simples,
suave, de  poder  ser  tudo
e  ainda  não  ser  algo  definido.
Trago  na  minha  mão
o  amor  das  mãos
que  seguravam  as  minhas,
guiando  e  protegendo
mesmo  quando  eu  não  percebia...
Meu  rosto  ainda  traz  o  beijo
e  meu  olhar  ainda  carrega  o  futuro.
Meu  passado  está  impresso
em  cada  célula  do  meu  corpo,
em  cada  átomo  do  meu  ser,
como  uma  imagem  clara
de  uma  manhã  de  verão.
Queria  ser  tudo,
desejava  tanto...
Meus  pés  buscavam  o  amanhã
como  a  borboleta  procura
em  cada  flor  a  vida,
essa  vida  da  qual  temos  tanta  sede
e  a  qual  encontramos  apenas
quando  temos  a  nossa  alma  calma.
Tua  luz  me  guiava
enquanto  lia  para  mim
aqueles  livros  amarelados
que  reluzia  como  o  sol.
Tua  voz  embalava  meus  sonhos
e  tua  força  me  alimentava
com  o  mel  do  amor  mais  puro.
Teus  olhos  eram  a  expressão  da  vida,
uma  porta  aberta  para  o  futuro.
Teu  amor  ainda  me  conduz
e  tua  força  é  a  minha  força.
Tua  lembrança  viva
é  hoje  a  bandeira 
que  ergo  em  tudo  o  que  faç,o
inspirando  a  minha  vida.
Teu  amor  são  as  asas
que  me  protegem,
que  velam  meu  sono.
Tua  mão  ainda  está  sobre  a  minha
e  tua  voz  ainda  sopra
ao  meu  ouvido,
indicando  o  melhor  caminho
quando  me  sinto  perdida
na  solidão  da  noite.
Ainda  brilha  o  teu  sorriso,
sol  do  amor  infinito.
Volto  meu  olhar  para  o  firmamento
e  ainda  iluminas  o  meu  céu,
no  rastro das  estrelas,
na  alvorada  solene,
na  alegria  da  praia. 
Minha  prece  te  envolve
com  o  manto  do  amor  verdadeiro
e  o  céu  derrama  sobre  ti
as  mais  preciosas  flores.
Verdadeira  rainha  da  primavera,
a  balança  te  ergue  acima  do  tempo,
onde  nos  encontramos
e  finalmente  me  sinto  em  paz.
Deus  abençoa  o  teu  sono,
teus  passos  de  menina,
tua  vida  luminosa  e  pura.
O  amor  que  tanto  derramaste
concede  a  graça.
O  anjo  da  sabedoria  guia-te,
querida  criança.
Queria  ser  o  teu  anjo
e  acompanhar  os  teus  passos,
proteger-te  e  velar  por  ti,
traduzir  meu  amor  em  cuidados
e  por  um  momento
devolver  toda  a  ternura
que  recebi  de  ti.
Nos  teus  passos  segue  o  vento
e  as  ondas  do  mar,
cantoras  do  amor.
Perfumas  o  mundo
mesmo  após  a  partida
para  o  jardim  dos  girassois,
onde  brincam  as  libélulas
e  florescem  os  jasmins.
Não  se  esquece  quem  ama,
e  amaste  muito.
Teu  amor,
semente  abençoada,
floresce  hoje
em  tudo  o  que  faço.
Carrego  comigo  o  teu  retrato
como  um  talismã
contra  qualquer  obstáculo.
Mais  forte  que  o  amor
não  existe,
nem  mesmo  a  distância
que  o  coração  vence.
Meu  pensamento  voa 
até  onde  você  está.
Fortaleza  serena,
materna  presença,
o  amor  vence
qualquer  barreira,
até  mesmo  o  tempo
abre  suas  pesadas  portas
unindo  em  ser
e  sentimento
aqueles  que  amam. 
December 28

Infinito*

Adriana  Janaína
 
Tenho  tanto  em  pouco  tempo,
frutos  e  pétalas,
sentimentos  soltos,
hastes  dispersas  ao  vento,
dente  de  leão,
fagulha  de  relâmpagos
que  dançam  no  infinito.
O  amanhã  revela
algo  inesperado
e  novo.
Raios  e  tempestades,
chuva  e  rios,
pensamentos  que  navegam
na  direção  do  futuro, 
este  espelho  do  ontem
por  onde  derrama-se
o  agora.
Mergulho  nesta  visão,
poema  e  encantamento.
Arrebata-me  em  laços
desfeitos  ao  vento.
Arremessa  minhas  certezas
de  encontro  ao  tempo,
retira  todas  as  vigas
que  sustentam  a  humana  razão
para  que  então  eu  possa  ter
a  real  percepção
do  que  está  além,
sempre  presente,
no  átomo  e  momento,
na  eternidade  e  sentimento.
Apenas  o  infinito.
 
 
 

Novo ano

Adriana  Janaína
 
2009  se  aproxima, um  ano  de  grandes  expectativas  e  projeções. Além  da  ansiedade  usual  que  a  maioria  das  pessoas  projeta  no  ano-novo, temos  ainda  a  sombra  da  crise, iniciada  pela  economia  norte americana. Esta  crise  anunciada  deixará    marcas  profundas. Contudo, sempre  existiram  crises  a  rondar  a  economia. Nascemos  ouvindo  falar  sobre  uma  crise, e  os  pessimistas  sempre  alardeiam  aos  quatro  cantos  que  será  a  mais  grave. O  ser  humano  sempre  supera, encontra  meios  de  aprender  e  crescer  com  as  dificuldades. É  evidente  que  esta  crise  afetará  a  todos, e  o  Brasil  não  será  exceção. A  economia  globalizada  não  permite  que  nenhum  país  esteja  imune  a  um  grande  acontecimento. Acreditar  que  somos  capazes   de  superar
crises  e  buscar  novos  caminhos  é  o  que  torna  possível  o  sucesso. Somos  capazes. O  novo  ano  será  o  que  ousarmos  imaginar. Que  2009  seja  um  ano  de  aprendizado  e  vitórias  para  todos.                   
December 17

O vento*

Adriana  Janaína
 
Vento  que  sopra  do  leste,
intento,
segredo,
abismo...
E  agora  mesmo  eu  sentia
a  brisa  perfumada  da  tarde.
Tão  longe  estou  de  quem  era,
ainda  ontem,
esquina.
Hoje, neste  instante  breve,
sou  a  flor  que  se  lança
nas  asas  do  vento,
seguro  a  sua  mão
e  nada  temo.
Amo  ser  vento!
Meus  olhos  brilham
lançada  ao  infinito,
sem  planos,
sem  continente,
livre  e  leve
como  uma  estrela 
que  dança  no  espaço.
Ainda  ontem  era  espera,
pausa  e  pensamento...
Hoje  apenas  algo  que  brilha
e  voa  nas  asas  do  vento...
O  tempo,
nada,
o  mundo
além  do  universo,
segundo,
o  raio  mais  brilhante  do  sol...
Ainda  sinto  a  mão  do  vento
a  conduzir  meu  ser  além,
sendo  mais 
e  sendo  apenas  quem  sou,
sem  máscaras
ou  convenções,
ser  tudo  o  que  sou
e  não  desejando  mais,
porque  sentir-se  pleno
é  sentir-se  sol
no  mundo  onde  estrelas
pensam  ser  toda  a  luz.
Então  a  poesia  sorri
feito  luar  e  chuva,
como  bailam  as  ondas
ao  redor  dos  rochedos,
derramando-se  na  areia,
coroando  a  orla  de  espuma,
feito  criança,
sem  pensar. 
Assim  nascem  manhãs
e  anoitecem  dias,
embalados  pelos  astros,
entre  montanhas  e  nuvens.
Apenas  o  vento
conhece  este  segredo,
ser  sempre  menino
e  ter  a  leveza  da  vida.
Foi  o  vento  que  me  ensinou
como  ter  e  usar  asas. 
 
December 14

Alma*

Adriana  Janaína
 
Minha  alma  sopra
como  faz  o  vento,
brinca  de  ser  criança
já  que  é  eterna.
Minha  alma  ama
e  não  aceita  a  separação.
Seus  olhos  negros  e  profundos
brilham  como  estrelas
que  iluminam  a  noite.
Ela  dança  e  canta
e  as  vezes  silencia
devido  a  dor.
Minha  alma  é  corajosa
mas  tem   medo  do  escuro
que  assombra  a  partida.
Ela  ama  poesia,
chora  e  sorri
como  se  derrama  a  chuva
no  verão.
Minha  alma se  ressente
quando   não  a  escuto,
pois  sempre  está  comigo
e  sofre  quando  eu  sofro,
ama  antes  que  eu  perceba
que  estou  amando.
É   no  seu  ombro
que  busco  força
para  me  recuperar  da  desilusão.
Minha  alma  menina  e  mulher,
poeta  e  guerreira,
sacerdotisa  e  aprendiz,
me  alegra  quando  estou  triste
e  não  permite  que  eu  desista  
dos  meus  sonhos.
Minha  alma  anda
de  mãos  dadas  comigo
e  me  fortalece
quando  me  sinto  só.
Ela  segura  minha  mão
e  converte  em  palavras
a  gota  da  chuva  e  o  luar.
Minha  alma  brinca  sozinha
quando  a  esqueço,
e  meus  dias  e  noites 
são  sem  sol
onde  não  brilha  a  lua.
Não   permita,
minha  alma,
que  eu  esqueça   jamais  de  ti.
Em  ti  o  orvalho 
se  mistura  a  terra
onde  florescem  os  jasmins.
Em  ti  o  calor  dos  riachos
na  primavera
alcança  as  nuvens
e  abraça  o  mundo.
Sem   ti  não   brilha   o  sol
e  não  cantam  as  estrelas.         
December 09

O último dia*

 Trecho  de  O  último  dia

 Adriana  Janaína 

 Registro  EDA\BN

 

 " O  salão  se  encontrava  com  as   luzes  apagadas. Um   imenso  telão mostrava  a  possível  trajetória  do  cometa, simulada  no  computador.
  - Os  cometas  são  os  remanescentes  da  nuvem  de  poeira  e  gás   que  se  condensou  para  formar  o  sol  e os  planetas há  4,6  bilhões de anos.  No  interior  dos  cometas  o  material  oriundo  da  formação  do  sistema  solar  se  mantém  relativamente  imutável.
  Os  olhos  de  Lara  percorreram  o  auditório  lotado, mergulhados  naquela  atmosfera  de  apreensão  e  dúvida. A  luz  difusa, a   voz  incisiva  do  doutor Phoenix  explicando  do  que  era  composto  o  cometa, a  sua  trajetória  ao  redor  do  sol  até  aproximar-se  do  nosso  planeta, a  imagem  daquele  que  fora  denominado  pelo  seu  descobridor “O Viajante” riscando  o  espaço, produziam  uma  reação  instantânea. Dispensava um  texto  apurado. Os  olhares  recordavam   crianças    diante  de  um   mundo misterioso  e  imprevisível.
    -  Quais   as   conseqüências  de  um  choque  com  a  Terra? – Alguém   perguntou, impaciente. O  cientista  tentou  identificá-lo  no  meio  da  multidão, até  desistir. Parecia  realmente  cansado.
  - Alterações  no  eixo  e  movimento  rotativo  do  planeta.  Significaria mares  invadindo  continentes, o  começo  de  uma   série   de   conseqüências, causando  a  extinção  de  espécies  e  da  vida,  como   a   conhecemos.
  A  confusão  estava formada. Os  que  ouviam  atentamente, agora indagavam  e  debatiam  o  que  o  professor  acabara  de  dizer,  assustados  e  transtornados. As  luzes foram  acesas. Phoenix   aguardou que todos  se  acalmassem, tranqüilamente. Áquila  fotografava  freneticamente. Lara  observava, atenta, guardando  cada  detalhe.
  Arthur  Phoenix  limpou  as  lentes  dos  óculos  de  grau, os  cabelos prateados  precisavam  de  um  corte. Era  um  homem  de  ciência, devotado  aos  estudos  e  pesquisas, um  personagem  incrível  naquele cenário.
  - É  o  que  vai  acontecer? – Gritou  uma  senhora, conseguindo  impor  sua  voz  a  multidão, que  prontamente  se  calou.        Os   olhares estavam  novamente  fixos  no  doutor Phoenix.
  - Este  cometa  não  é  o  primeiro, e  certamente  não  será   o   último  a  passar  próxima  a  Terra. Gravitam  em  volta  do  sol,  onde tem  suas  dimensões  aumentadas  à  medida  que  experimentam  a  ação  solar.Sempre  existe  a  possibilidade  de  que  qualquer   cometa  venha  um  dia  chocar-se  com  o  planeta, ou  que  devido  a  explosão  de luz  e  calor  solares, produza  o  aumento  da  temperatura, suficiente  para  tornar  impossível  a  vida  terrestre, ainda  que não  haja  um  choque. Bastaria  que  o  cometa  colidisse  com    um planeta  vizinho  para  que  tivéssemos  nosso  sol  noturno. As  possibilidades   são  infinitas, mas  como  estudioso  do  assunto, repito que  o  planeta   sempre  viu  passar  esses  viajantes  do  espaço  e a vida   sempre   prosseguiu. O cometa  arrasta  gazes invisíveis, letais as  condições   terrestres, mas  penso  como  outros  cientistas   que  haverá  apenas  a  precipitação  das  conhecidas  estrelas  cadentes.
  A  multidão  voltou  a  fazer  indagações  ao  mesmo  tempo.  Lara  tentou  identificar  Áquila, que  desapareceu  entre   os    presentes, seguramente  buscando  um  ângulo  para  as  fotos.  Sentou-se, enquanto  todos  permaneciam   de   pé,  discutindo     o  assunto  freneticamente, enquanto   o   professor   organizava   suas  anotações. Percebeu  que  ele sabia  que  toda  aquela  agitação seria apenas  o  início. Tudo  poderia  acontecer, o  cometa  serviria   apenas  de  pano  de  fundo  para  tudo  o  que  viria  a  seguir.
  Uma  figura  incomum  aproximou-se  do  doutor Phoenix, atraindo  a atenção  de todos. Subiu  alguns  degraus  batendo  palmas, em  meio ao  burburinho  dos  presentes. Usava  um  sobretudo  preto, seus  cabelos  eram  compridos  e  negros, era  alto, jovem apesar  do rosto sério e dos  olhos  azuis  compenetrados. Um   sorriso    sarcástico  dançava  nos  seus  lábios. Seus  traços   eram   elegantes,  definidos, mas  havia  algo  na  sua  fisionomia  que  assustava.  
   O doutor Phoenix não parecia  surpreso  em  vê-lo. 
  - Muito  bem, Arthur, conseguiu  transformar  uma  catástrofe em espetáculo. – Comentou  o  homem alcançando o microfone. -  Boa noite. Sou  o professor  Santiago, como  alguns  já sabem. Historicamente  sempre  estivemos  ameaçados  neste  planeta,  não    apenas por  cometas, mas   por  terremotos,  mega explosões   vulcânicas, furacões, glaciações  e  outros  fenômenos. Os dinossauros    desapareceram  no  auge  de sua  preponderância. Caso James Lovelock esteja correto  na  sua  teoria  sobre  a  Terra  sendo um  organismo   vivo, sensível  e  capaz  de  reações  às  agressões que  sofre, não  devemos temer  apenas  a  este  cometa, mas  a  uma  infinidade   de  possibilidades   relacionadas    aos   desastres    naturais     que  ocorrem    milhões de  anos.
 - É  o  editor  de  uma  revista  sobre fenômenos   extraordinários.-   Contou  Áquila, ao  lado de  Lara.
 - Onde  estava?
 - Por  aí. Agora  Santiago  é  o  foco, e  pelo  que  ouvi  dizer, não está  aqui  por  acaso. Vive  viajando  pelo  mundo, e      lecionou em  outros  países. É um colecionador  e  amante de obras de arte, apreciado entre  a  classe  artística.
  - Parece  jovem.
  - A  família  a  qual  pertence   gerou  grandes  cientistas, entre os quais  o doutor Phoenix.
  - Está  dizendo que   Santiago  é  irmão  de  Arthur  Phoenix?..."
 
 
Goya  
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adriana janaina

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Sou aquariana.