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Adriana Janaína Poeta |
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June 03 Algodão doceAdriana Janaína Poeta
Ando sentindo o cheiro da chuva
e o aroma das madressilvas
maceradas pelo tempo,
açoitadas pelo vento,
mesmo durante o dia.
Quanto mais quente,
quanto mais intensos são os raios de sol,
maior o perfume das madressilvas úmidas.
Ouvi ainda há pouco as vozes
ecoando alegres e repletas de esperança
da minha infância.
Como tinham esperanças!
Como idealizavam o futuro,
colorindo tudo com as cores mais felizes!
Minha nona, cercando a todos de cuidados,
minha mãe, com sonhos, lutas e ideais,
minha madrinha, buscando conhecimento
através da espiritualidade,
minha tia, com sua alegria inabalável...
Então, sinto e percebo
que são suas as vozes que ainda ouço,
ecoando no tempo,
viajando através da memória,
persistindo na eternidade
como uma lembrança viva,
uma carta aberta e perene no mundo.
Quanto sonharam para mim,
quantas esperanças e bençãos?...
Sinto os seus olhares e afagos,
as mãos que me erguem
e os olhares que guardam
e incentivam.
É na lembrança delas que renovo forças,
nos seus sorrisos eu vejo o sol
mesmo quando surge a noite.
No silêncio e na solidão,
são suas as preces e rizos,
as estrelas que brilham no céu sem nuvens,
a vida que insiste em atravessar
a escuridão,
a espera que mergulha na certeza,
o dia que dissipa a noite,
uma força que anuncia algo melhor.
Então, minha poesia de céu azul
e chuva que cai,
é como a melodia das vozes queridas
que de tanto amor me cercaram,
tanta alegria e esperança
me envolveram,
mimos e certezas,
elogios e agrados.
Perfumada com tamanho amor
encontro o mundo,
todos os dias,
e quando a dor e a saudade vem,
sei que não perduram,
logo vão embora.
May 14 Eterno encontro*Adriana Janaína Poeta
Para o meu único e eterno amor: Marcelo Bernardo
Te sonhei encontro,
manhã de sol sem nuvens,
azul intenso
de sorriso eterno.
Te esperava realeza,
estrela de brilho raro,
alma de pureza argentina,
bravura e coração
sem mancha.
Te adivinhei ainda menina,
ouvi teus passos,
desejei teus abraços
e todos os teus olhares...
E te encontrei no crepúsculo,
a sombra dançante
de um dia claro.
Te amei como antes
e chorei feito nuvem,
meus pés tão cansados,
meu coração tão retalhado!
Meu amor persiste
feito estrela que se recusa a morrer
e se lança no espaço ainda azul
embora rubra e derradeira.
Apesar da noite,
te cuidei como a um menino,
te amei como irmã
e te desejei feito flor
que desabrocha.
Ainda tendo a alma em dores,
converti em céu
a íngrime paisagem.
Minhas mãos ainda buscam as tuas,
meu corpo frio
ama o calor do teu.
Te desejava sonho
e minha alma menina
talvez recuse
o que é real,
ainda anseia pelo rosa
na aurora,
divaga mirando estrelas,
busca no azul do céu
o que não existe.
Te esperava amor,
sonho e encantamento,
mar e céu azul. April 05 Maresia*Adriana Janaína Poeta O mar leva segredos, arrasta em suas ondas imagens condensadas em sonhos, gotas que se espalham no oceano, mensagens e sentimentos perdidos... O mar é o tecido maleável e fluido do tempo, o espelho da imensidão que cotemplamos nas suas águas salgadas, manto e abrigo, alimento e útero, paisagem calma, mesmo na tempestade. O mar é tela em movimento, perfume que descarrega a alma de dores e receios, leito de esquecimento, azul que lava e verde que renova. O mar é enredo que surrurra em ondas e sorri em vagas, mão que estendida consola. O mar é colo, alento, descanso... É o alfa que abriga no ventre o ômega de tudo o que vive e repete o homem, esse ser contraditório, esse abismo que alcança o céu, essa alma que procura o inexplicável, essa vida que ama e persiste, essa eternidade que finda e se propaga. March 25 Semente e frutomarço 22, 2009 - domingo Adriana Janaína Poeta Semente e fruto Dizem que poesia não deve ser datada, precisa ser como nuvem, perene e derramada na superfície lisa que ondula, serpenteante feito vento. Poesia é rio, água que esparge, luz que irradia, música suave, vida que sopra, verbo encantado, estrofe amada. Poesia é mar quando encontra espelho, germina no outro, se desdobra multiplicando um sentimento tão solitário. É a estrela que brilha em cada margem, refletida no céu de azul sereno, lá onde as nuvens não podem ocultá-las, então o divino se revela em arte, como semente, fruto e flor. Apenas assim podemos acreditar no encontro, podemos crer no amor, já que as estrelas e sementes misturadas, são capazes de ir além no chamado distante que o céu propaga feito grito e canto. 8:31 March 22 O anjo e a fera*Adriana Janaína Poeta
Para o meu amor verdadeiro:
Uma parte de ti é anjo,
voa além das nuvens brancas,
alcança o céu,
segue a trilha das estrelas,
acompanha o vento
na sua trajetória errante.
Esta parte estelar
brilha acima das ondas,
perfuma o infinito,
revela o sonho
e encanta o luar.
Esta margem azul
que incendeia astro
e viaja além do universo visível,
mora em ti
feito chama
que se propaga e contagia,
inspira o amor,
atrai olhares,
se perpetua no tempo,
desdobra a unidade,
multiplica sementes
e germina em flor.
Outra parte de ti é fera,
usa asas imensas
para colorir o azul
de púrpura,
agita águas tranquilas,
persegue sombras
e ataca o crepúsculo.
Esta parte que é púrpura
uiva para a lua,
ama a noite, caminha descalço,
segue apenas os instintos
e ri para os astros.
É errante e fugáz,
viajante e impulsivo,
inconstante e terrestre,
parte dor,
parte sonho,
um delírio que ruge.
É uma onda gigante,
cinzas que se agitam
ao vento.
Este anjo de dupla margem,
um ser que oscila entre extremos,
comove o dia
e encanta a noite,
se revela no teu olhar de menino,
derrama amor através
do seu coração generoso,
traduz todo o ímpeto
de um guerreiro.
Então, o espelho que reflete
o azul do céu
é o mar que mira o anjo e a fera,
que se rende ao amor
após longa espera.
March 04 Hora azul*Adriana Janaína
Para Marcelo Bernardo
Voa nas asas do tempo
encontros dispersos
na paisagem nua.
Grandes cumes,
elevadas planícies,
carregam no seu dorso
olhares perdidos
na teia dos séculos,
intrincado enredo.Os que amam,
os que buscam,
aqueles que aguardam consolo.
Os que procuram com o olhar,
os que caminham atentos...
Um dia,
ao dobrar uma esquina,
no clique mágico,
perfeita trajetória,
os anjos conduzem os passos,
aqueles que realizam sonhos,
os mesmos que indicam os caminhos.
Então, o sol brilha
como ouro em ondas de felicidade.
Nas asas de um anjo,
seu olhar encontrará
o que busca
e espera há tanto tempo,
o que parecia perdido e distante.
Entre o dia e a noite,
na hora mágica,
no azul do céu
derramado no horizonte,
o amor não será mais um sonho. February 13 A rocha*Adriana Janaína
Dura é a tarefa da rocha,
ser sempre só
mesmo quando sopra o vento,
sentir-se sempre estranha
na paisagem,
ter que ser sempre firme
mesmo quando chega a tempestade.
Longa e cansativa
é a tarefa da rocha,
viver com a imagem
de dureza e força,
ainda que na alma
haja frio e solidão,
porque ser rocha
é ser apoio,
ser a âncora no deserto
ou a escada na montanha,
o assento na praia,
as mãos firmes da natureza
que repousam na terra.
Ser rocha é sentir frio,
é angústia e espera,
ser a cinza que o vento espalha,
o cristal que o tempo forja
como um metal diferente
e triste.
Ser rocha é carregar
na alma e na pedra
todo o peso do tempo. January 13 Distante*
Adriana Janaína
O vento descreve sua trajetória errante, carregando folhas, poeira, grãos minúsculos, fragmentos de árvores e pedras, como se escrevesse no ar na sua passagem inconstante a história do homem, esta vida que passa por nós enquanto passamos por ela, como fagulhas que o vento leva para algum lugar ignorado. O vento passa simplesmente, não tem hora para voltar, não finca raízes, segue simplesmente, brisa suave, vento agitado, serpente veloz.... Na curva derrapa, escorregando entre as árvores, esquinas, construções, sem pesar e ponderar sobre o infinito. É leve, forte, ligeiro, eterno, criança, guerreiro, poeta no silêncio, músico nas tempestades, presente, ausente, distante, apenas o vento. Grande no ar que movimenta, na energia invisível que se mostra no tempo, aquele que ordenada e misteriosamente desordena, aquele que agita as águas e comove os montes, dobra as árvores, assanha os campos. Elemento que carrega na velocidade a suavidade penetrante.
January 06 Humanas certezas*Adriana Janaína
A certeza do amor permeia nossa humana busca por ideais, nossa eterna inocência que grita exigindo afeto, uma resposta para a busca empreendida desde tempos imemoriais. O que somos transcende a aparência, o que é visível. Somos uma mistura de emoções e pensamentos que ocultam a verdadeira essência do que eterno em nós existe. Então, no laço do tempo, verdadeira armadilha, encantado estado, somos arremetidos pelas idades como uma esfera de experiências e expectativas. O desejo de amor incendeia nossa existência, como o esboço de algo maior, experimentado em algum lugar, aguardado e reverenciado. Ansiamos por este sol que brilha através de nós, Além de toda aparência e lembrança. Nossas humanas certezas são os véus que ocultam as divinas verdades que existem e resistem ao tempo. Nossos passos ecoam na eternidade, como um rio de experiências fluindo na direção do infinito.
December 31 Íris*Adriana Janaína
Trago na minha boca ainda
o gosto da infância,
o cheiro de sol
e flor na primavera,
a sensação da liberdade
ao correr pela rua molhada
sentindo a chuva
abraçar meu corpo...
A alegria simples,
suave, de poder ser tudo
e ainda não ser algo definido.
Trago na minha mão
o amor das mãos
que seguravam as minhas,
guiando e protegendo
mesmo quando eu não percebia...
Meu rosto ainda traz o beijo
e meu olhar ainda carrega o futuro.
Meu passado está impresso
em cada célula do meu corpo,
em cada átomo do meu ser,
como uma imagem clara
de uma manhã de verão.
Queria ser tudo,
desejava tanto...
Meus pés buscavam o amanhã
como a borboleta procura
em cada flor a vida,
essa vida da qual temos tanta sede
e a qual encontramos apenas
quando temos a nossa alma calma.
Tua luz me guiava
enquanto lia para mim
aqueles livros amarelados
que reluzia como o sol.
Tua voz embalava meus sonhos
e tua força me alimentava
com o mel do amor mais puro.
Teus olhos eram a expressão da vida,
uma porta aberta para o futuro.
Teu amor ainda me conduz
e tua força é a minha força.
Tua lembrança viva
é hoje a bandeira
que ergo em tudo o que faç,o
inspirando a minha vida.
Teu amor são as asas
que me protegem,
que velam meu sono.
Tua mão ainda está sobre a minha
e tua voz ainda sopra
ao meu ouvido,
indicando o melhor caminho
quando me sinto perdida
na solidão da noite.
Ainda brilha o teu sorriso,
sol do amor infinito.
Volto meu olhar para o firmamento
e ainda iluminas o meu céu,
no rastro das estrelas,
na alvorada solene,
na alegria da praia.
Minha prece te envolve
com o manto do amor verdadeiro
e o céu derrama sobre ti
as mais preciosas flores.
Verdadeira rainha da primavera,
a balança te ergue acima do tempo,
onde nos encontramos
e finalmente me sinto em paz.
Deus abençoa o teu sono,
teus passos de menina,
tua vida luminosa e pura.
O amor que tanto derramaste
concede a graça.
O anjo da sabedoria guia-te,
querida criança.
Queria ser o teu anjo
e acompanhar os teus passos,
proteger-te e velar por ti,
traduzir meu amor em cuidados
e por um momento
devolver toda a ternura
que recebi de ti.
Nos teus passos segue o vento
e as ondas do mar,
cantoras do amor.
Perfumas o mundo
mesmo após a partida
para o jardim dos girassois,
onde brincam as libélulas
e florescem os jasmins.
Não se esquece quem ama,
e amaste muito.
Teu amor,
semente abençoada,
floresce hoje
em tudo o que faço.
Carrego comigo o teu retrato
como um talismã
contra qualquer obstáculo.
Mais forte que o amor
não existe,
nem mesmo a distância
que o coração vence.
Meu pensamento voa
até onde você está.
Fortaleza serena,
materna presença,
o amor vence
qualquer barreira,
até mesmo o tempo
abre suas pesadas portas
unindo em ser
e sentimento
aqueles que amam. December 28 Infinito*Adriana Janaína
Tenho tanto em pouco tempo,
frutos e pétalas,
sentimentos soltos,
hastes dispersas ao vento,
dente de leão,
fagulha de relâmpagos
que dançam no infinito.
O amanhã revela
algo inesperado
e novo.
Raios e tempestades,
chuva e rios,
pensamentos que navegam
na direção do futuro,
este espelho do ontem
por onde derrama-se
o agora.
Mergulho nesta visão,
poema e encantamento.
Arrebata-me em laços
desfeitos ao vento.
Arremessa minhas certezas
de encontro ao tempo,
retira todas as vigas
que sustentam a humana razão
para que então eu possa ter
a real percepção
do que está além,
sempre presente,
no átomo e momento,
na eternidade e sentimento.
Apenas o infinito.
Novo anoAdriana Janaína
2009 se aproxima, um ano de grandes expectativas e projeções. Além da ansiedade usual que a maioria das pessoas projeta no ano-novo, temos ainda a sombra da crise, iniciada pela economia norte americana. Esta crise anunciada deixará marcas profundas. Contudo, sempre existiram crises a rondar a economia. Nascemos ouvindo falar sobre uma crise, e os pessimistas sempre alardeiam aos quatro cantos que será a mais grave. O ser humano sempre supera, encontra meios de aprender e crescer com as dificuldades. É evidente que esta crise afetará a todos, e o Brasil não será exceção. A economia globalizada não permite que nenhum país esteja imune a um grande acontecimento. Acreditar que somos capazes de superar
crises e buscar novos caminhos é o que torna possível o sucesso. Somos capazes. O novo ano será o que ousarmos imaginar. Que 2009 seja um ano de aprendizado e vitórias para todos. December 17 O vento*Adriana Janaína
Vento que sopra do leste,
intento,
segredo,
abismo...
E agora mesmo eu sentia
a brisa perfumada da tarde.
Tão longe estou de quem era,
ainda ontem,
esquina.
Hoje, neste instante breve,
sou a flor que se lança
nas asas do vento,
seguro a sua mão
e nada temo.
Amo ser vento!
Meus olhos brilham
lançada ao infinito,
sem planos,
sem continente,
livre e leve
como uma estrela
que dança no espaço.
Ainda ontem era espera,
pausa e pensamento...
Hoje apenas algo que brilha
e voa nas asas do vento...
O tempo,
nada,
o mundo
além do universo,
segundo,
o raio mais brilhante do sol...
Ainda sinto a mão do vento
a conduzir meu ser além,
sendo mais
e sendo apenas quem sou,
sem máscaras
ou convenções,
ser tudo o que sou
e não desejando mais,
porque sentir-se pleno
é sentir-se sol
no mundo onde estrelas
pensam ser toda a luz.
Então a poesia sorri
feito luar e chuva,
como bailam as ondas
ao redor dos rochedos,
derramando-se na areia,
coroando a orla de espuma,
feito criança,
sem pensar.
Assim nascem manhãs
e anoitecem dias,
embalados pelos astros,
entre montanhas e nuvens.
Apenas o vento
conhece este segredo,
ser sempre menino
e ter a leveza da vida.
Foi o vento que me ensinou
como ter e usar asas.
December 14 Alma*Adriana Janaína
Minha alma sopra
como faz o vento,
brinca de ser criança
já que é eterna.
Minha alma ama
e não aceita a separação.
Seus olhos negros e profundos
brilham como estrelas
que iluminam a noite.
Ela dança e canta
e as vezes silencia
devido a dor.
Minha alma é corajosa
mas tem medo do escuro
que assombra a partida.
Ela ama poesia,
chora e sorri
como se derrama a chuva
no verão.
Minha alma se ressente
quando não a escuto,
pois sempre está comigo
e sofre quando eu sofro,
ama antes que eu perceba
que estou amando.
É no seu ombro
que busco força
para me recuperar da desilusão.
Minha alma menina e mulher,
poeta e guerreira,
sacerdotisa e aprendiz,
me alegra quando estou triste
e não permite que eu desista
dos meus sonhos.
Minha alma anda
de mãos dadas comigo
e me fortalece
quando me sinto só.
Ela segura minha mão
e converte em palavras
a gota da chuva e o luar.
Minha alma brinca sozinha
quando a esqueço,
e meus dias e noites
são sem sol
onde não brilha a lua.
Não permita,
minha alma,
que eu esqueça jamais de ti.
Em ti o orvalho
se mistura a terra
onde florescem os jasmins.
Em ti o calor dos riachos
na primavera
alcança as nuvens
e abraça o mundo.
Sem ti não brilha o sol
e não cantam as estrelas. December 09 O último dia*Trecho de O último dia Adriana Janaína Registro EDA\BN
" O salão se encontrava com as luzes apagadas. Um imenso telão mostrava a possível trajetória do cometa, simulada no computador.
- Os cometas são os remanescentes da nuvem de poeira e gás que se condensou para formar o sol e os planetas há 4,6 bilhões de anos. No interior dos cometas o material oriundo da formação do sistema solar se mantém relativamente imutável.
Os olhos de Lara percorreram o auditório lotado, mergulhados naquela atmosfera de apreensão e dúvida. A luz difusa, a voz incisiva do doutor Phoenix explicando do que era composto o cometa, a sua trajetória ao redor do sol até aproximar-se do nosso planeta, a imagem daquele que fora denominado pelo seu descobridor “O Viajante” riscando o espaço, produziam uma reação instantânea. Dispensava um texto apurado. Os olhares recordavam crianças diante de um mundo misterioso e imprevisível.
- Quais as conseqüências de um choque com a Terra? – Alguém perguntou, impaciente. O cientista tentou identificá-lo no meio da multidão, até desistir. Parecia realmente cansado.
- Alterações no eixo e movimento rotativo do planeta. Significaria mares invadindo continentes, o começo de uma série de conseqüências, causando a extinção de espécies e da vida, como a conhecemos.
A confusão estava formada. Os que ouviam atentamente, agora indagavam e debatiam o que o professor acabara de dizer, assustados e transtornados. As luzes foram acesas. Phoenix aguardou que todos se acalmassem, tranqüilamente. Áquila fotografava freneticamente. Lara observava, atenta, guardando cada detalhe.
Arthur Phoenix limpou as lentes dos óculos de grau, os cabelos prateados precisavam de um corte. Era um homem de ciência, devotado aos estudos e pesquisas, um personagem incrível naquele cenário.
- É o que vai acontecer? – Gritou uma senhora, conseguindo impor sua voz a multidão, que prontamente se calou. Os olhares estavam novamente fixos no doutor Phoenix.
- Este cometa não é o primeiro, e certamente não será o último a passar próxima a Terra. Gravitam em volta do sol, onde tem suas dimensões aumentadas à medida que experimentam a ação solar.Sempre existe a possibilidade de que qualquer cometa venha um dia chocar-se com o planeta, ou que devido a explosão de luz e calor solares, produza o aumento da temperatura, suficiente para tornar impossível a vida terrestre, ainda que não haja um choque. Bastaria que o cometa colidisse com um planeta vizinho para que tivéssemos nosso sol noturno. As possibilidades são infinitas, mas como estudioso do assunto, repito que o planeta sempre viu passar esses viajantes do espaço e a vida sempre prosseguiu. O cometa arrasta gazes invisíveis, letais as condições terrestres, mas penso como outros cientistas que haverá apenas a precipitação das conhecidas estrelas cadentes.
A multidão voltou a fazer indagações ao mesmo tempo. Lara tentou identificar Áquila, que desapareceu entre os presentes, seguramente buscando um ângulo para as fotos. Sentou-se, enquanto todos permaneciam de pé, discutindo o assunto freneticamente, enquanto o professor organizava suas anotações. Percebeu que ele sabia que toda aquela agitação seria apenas o início. Tudo poderia acontecer, o cometa serviria apenas de pano de fundo para tudo o que viria a seguir.
Uma figura incomum aproximou-se do doutor Phoenix, atraindo a atenção de todos. Subiu alguns degraus batendo palmas, em meio ao burburinho dos presentes. Usava um sobretudo preto, seus cabelos eram compridos e negros, era alto, jovem apesar do rosto sério e dos olhos azuis compenetrados. Um sorriso sarcástico dançava nos seus lábios. Seus traços eram elegantes, definidos, mas havia algo na sua fisionomia que assustava.
O doutor Phoenix não parecia surpreso em vê-lo.
- Muito bem, Arthur, conseguiu transformar uma catástrofe em espetáculo. – Comentou o homem alcançando o microfone. - Boa noite. Sou o professor Santiago, como alguns já sabem. Historicamente sempre estivemos ameaçados neste planeta, não apenas por cometas, mas por terremotos, mega explosões vulcânicas, furacões, glaciações e outros fenômenos. Os dinossauros desapareceram no auge de sua preponderância. Caso James Lovelock esteja correto na sua teoria sobre a Terra sendo um organismo vivo, sensível e capaz de reações às agressões que sofre, não devemos temer apenas a este cometa, mas a uma infinidade de possibilidades relacionadas aos desastres naturais que ocorrem há milhões de anos.
- É o editor de uma revista sobre fenômenos extraordinários.- Contou Áquila, ao lado de Lara.
- Onde estava?
- Por aí. Agora Santiago é o foco, e pelo que ouvi dizer, não está aqui por acaso. Vive viajando pelo mundo, e já lecionou em outros países. É um colecionador e amante de obras de arte, apreciado entre a classe artística.
- Parece jovem.
- A família a qual pertence gerou grandes cientistas, entre os quais o doutor Phoenix.
- Está dizendo que Santiago é irmão de Arthur Phoenix?..."
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